“…São pessoas que, diga-se de passagem, têm duas vidas. Uma vida quando estão na sociedade e outra vida de comportamentos muito diferentes quando estão a sós. Sua capacidade de esconder o transtorno faz com que sejam vistos, superficialmente, como se não tivessem nada, entretanto suas vidas são sofríveis e um verdadeiro inferno dissimulado. Pessoas com o transtorno oscilam entre um comportamento adulto e um comportamento infantil.”
Sinto como se tivesse de vestir uma máscara no dia a dia, para que as pessoas me vejam como alguém normal… tenho de fingir que as coisas estão bem, quando estou triste tenho de sorrir, quando me apetece gritar tenho de me calar, quando estou-me a sentir como se não pertencesse aqui e que estou sozinha no mundo, vou para a casa de banho chorar sozinha…
Isto é muito solitário… sinto que não posso tirar a mascara para ninguém e cada vez menos pessoas querem ver uma pessoa triste e a sentir-se abandonada, preferem ver-me a sorrir mesmo que seja um sorriso falso…
Quando me perguntas se estou bem, queres mesmo ouvir a verdade? Acho que não… Estás cansado de fazer de enfermeiro, de cuidar de mim, se calhar precisas que cuidem de ti, das magoas que ficam, de dizer as palavras que ficaram por dizer… desculpa não corresponder ás expectativas, desculpa fazer-te sofrer quando mostro-te que estou a sofrer.
quarta-feira, 3 de março de 2010
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